ESTIMULAÇÃO

 

Estimulação precoce do desenvolvimento neuropsicomotor

As crianças com deficiência possuem um grande potencial a ser desenvolvido. Elas precisam, contudo, de mais tempo e estímulo da família e de especialistas para adquirir e aprimorar suas habilidades. Estimular a criança com síndrome congênita de vírus zika desde cedo faz toda a diferença para o seu desenvolvimento. Quanto antes começar a estimulação, mais rapidamente serão observados os progressos que ela faz. Uma boa estimulação realizada nos primeiros anos de vida pode ser determinante para a aquisição de capacidades em diversos aspectos, como desenvolvimento motor, comunicação e cognição.

Por isso, uma das primeiras providências que a família deve tomar é procurar especialistas e fazer um plano de consultas para que a criança faça os exercícios recomendados. A ajuda de profissionais como fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais é fundamental nesta etapa, pois eles vão analisar em que áreas a criança pode estar passando por dificuldades para criar um programa de apoio. Os exercícios vão variar de acordo com o crescimento e os progressos na aquisição de novas habilidades que a criança vai conquistando.

Mas, afinal, o que é a estimulação?

Estimular é ensinar, motivar, aproveitar objetos e situações e transformando-os em conhecimento e aprendizagem. É levar a criança, através da brincadeira, a aprender sempre mais. Pode parecer complicado, mas não é: basta acreditar que o bebê vai aprender e ter vontade de ensinar.

Por essa razão, nossa equipe do Movimento Zika produziu um conjunto de materiais simples, fáceis e baratos que a família pode utilizar em casa.  Criamos, também, guias impressos e tutoriais em vídeo demonstrando os exercícios que podem ser feitos explicando para que servem e em que etapa da vida da criança eles podem ser aplicados. Tanto os materiais quanto os exercícios foram todos testados, tanto do ponto de vista de segurança na sua aplicação quanto nos resultados que ele produz.

A grande vantagem de fazer os exercícios em casa é que a criança pode ser estimulada diariamente, o que contribui para seu melhor desenvolvimento. Outra vantagem é que essa estimulação, combinada com a que a criança recebe nos serviços especializados, permite que a mãe ou quem está cuidando do bebê possa ir menos vezes ao posto ou local onde o tratamento é feito. As consultas passam a ser mais espaçadas, reduzindo o desgaste de sair de casa com a criança, tomar uma condução, passar muitas horas no atendimento e gastar dinheiro com as passagens, almoços e lanches fora de casa.
Essa locomoção quase diária, aliás, é um dos grandes problemas que as mães têm relatado para que suas crianças recebam o tratamento adequado.

Aprenda alguns desses exercícios e ajude na estimulação e crescimento de seu filho:

1) Confira os exercícios disponíveis no Guia de Estimulação para Crianças com Síndrome Congênita do Zika Vírus do Movimento Zika e  os vídeos com exercícios Crescer com Síndrome do Vírus Zika. (EM BREVE)

2) Se você é pai ou mãe, apaixone-se por seu filho. Toque, beije e abrace o bebê com muito carinho. Comunique-se e veja como ele expressa muitas coisas mesmo antes de falar. Não há terapia melhor do que o amor!

3) Evite deixar o bebê dormir por períodos muito longos. Mesmo pequeno, ele precisa de rotina para realizar as atividades de estimulação. Se os exercícios forem feitos sempre nos mesmos horários, o bebê ficará mais acordado e não reclamará dos estímulos.

4) Procure a melhor hora do dia para estimular o bebê. Cuide para que ele esteja alimentado, hidratado e sequinho antes de começar qualquer atividade.

5) Faça os exercícios diariamente: os bebês precisam de contatos repetidos com uma mesma experiência. Porém, repetir não significa fazer tudo igual: desenvolva cada habilidade com atividades variadas.

6) Divida a atividade em passo a passo: a aprendizagem é dividida em estágios. Recompense o bebê por cada pequeno passo que ele seja capaz de dar e valorize seus esforços.

7) Faça coisas divertidas: sua voz e linguagem corporal podem motivar o bebê. Use a criatividade e lembre-se de “trocar de lugar com ele” na brincadeira ou atividade, para reforçar a interação e o interesse.

8) Cuide do ambiente: aprender novas habilidades requer atenção e foco, além de um ambiente livre de interrupções e de ruídos. Evite fornecer muitos estímulos ao mesmo tempo, como muitos brinquedos ou rádio e televisão ligados.

9) Mãe, pai e outros familiares também têm variações de humor e limitações de tempo. Procure respeitar seus próprios sentimentos. Mesmo com um bebê em casa, reserve um tempo para você e não troque a relação mãe/pai – filha/filho por uma maratona de atividades. Lembre-se de que os pais não são terapeutas.

10) Experimente! Se algo não funcionar, você sempre poderá tentar outra coisa.

11) Todos nós precisamos de tempo e prática para aprender coisas novas. Deixe o seu bebê saber disso.

12) Que tal criar um circuito com brincadeiras associadas? Quando seu bebê tiver mais equilíbrio, você pode incentivá-lo a fazer mais de uma atividade, como andar de um ponto a outro e subir e descer escadas.

13) Exponha o bebê a estímulos diferenciados sempre que possível. Mostre coisas que ele não conheça e permita que sinta diferentes texturas, como cascas de fruta, esponjas, gelatina e a grama do parquinho. Outra forma de estímulo é aproximar seu rosto, cheio de formas e cores, do rosto do bebê.

A maior parte dos programas de estimulação precoce é dirigida a crianças de 0 a 3 anos. Para que você possa ter alguns parâmetros, disponibilizamos uma linha do tempo do desenvolvimento em nosso portal. (EM BREVE) No entanto, é importante não fixar idades para a aquisição de habilidades, pois há grande variação no desenvolvimento das crianças, especialmente em crianças deficiência. O Guia de Estimulação para Crianças com Síndrome do Vírus Zika, disponível gratuitamente para download, traz exercícios que podem ser realizados em casa ou com o apoio de profissionais e os vídeos Crescer com Síndrome do Zika, com exercícios que, com seu auxílio, a criança pode fazer em casa. Também sugerimos que você clique nos links abaixo para conferir dicas sobre como estimular bebês com síndrome da zika e atividades cotidianas que favorecem o seu desenvolvimento.  (EM BREVE)

Guia da estimulação precoce

A estimulação precoce é uma abordagem que utiliza técnicas e recursos terapêuticos capazes de estimular todos os domínios que interferem no amadurecimento da criança e serve para favorecer o desenvolvimento motor, cognitivo, sensorial, linguístico e social, evitando ou amenizando eventuais prejuízos.

Os primeiros anos de vida são considerados críticos para o desenvolvimento das habilidades motoras, cognitivas e sensoriais. É nesse período que ocorre o processo de maturação do sistema nervoso central sendo a melhor fase de plasticidade dos neurônios da criança. Tanto a plasticidade quanto a maturação dependem da estimulação.

Clique aqui para fazer o download do nosso Guia de Estimulação.

Clique aqui para fazer o download do Guia de Estimulação em inglês.

O que é plasticidade neural?

A plasticidade neural é a capacidade que o cérebro tem de desenvolver novas conexões sinápticas entre os neurônios a partir da experiência e do comportamento do indivíduo. A partir de determinados estímulos, podem ocorrer mudanças na organização e na localização dos processos de informação. Através da plasticidade, novos comportamentos são aprendidos e o desenvolvimento humano torna-se um ato contínuo. Esse fenômeno parte do princípio de que o cérebro não é imutável, uma vez que a plasticidade neural permite que uma determinada função do Sistema Nervoso Central (SNC) possa ser desenvolvida em outro local do cérebro como resultado da aprendizagem e do treinamento.

Os neurônios são células características do sistema nervoso central que possuem a capacidade de estabelecer conexões entre si quando recebem estímulos advindos do ambiente externo ou do próprio organismo. Essas conexões são responsáveis por tudo o que somos. Por nossa personalidade, modo de agir, pela forma que nosso corpo vai adquirindo no transcorrer da vida.

A estimulação precoce tem como meta aproveitar este período crítico para estimular a criança a ampliar suas competências, tendo como referência os marcos do desenvolvimento típico.

Os marcos do desenvolvimento infantil são referência para a avaliação do Desenvolvimento Neuropsicomotor – DNPM de crianças e indicam o tratamento em caso de alteração. Os marcos estão disponibilizados na Caderneta da Saúde da Criança que possui versões para o sexo feminino e masculino.

Sexo feminino
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_saude_crianca_menina_9ed.pdf

Sexo masculino
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_saude_crianca_menino_9ed.pdf

Crianças com a síndrome da zika têm como um dos principais sinais clínicos a ocorrência da microcefalia. Entretanto, conforme estudos já publicados, podem apresentar outras manifestações clínicas e neurológicas. As alterações afetam seu desenvolvimento neuropsicomotor ao nascer ou durante o seu desenvolvimento e necessitam de atendimento especializado para intervenção precoce.

Seguem abaixo as principais manifestações já identificadas e publicadas e que podem ocorrer sem a manifestação da microcefalia.

Manifestações identificadas no feto: microcefalia, calcificações cerebrais e dilatação dos ventrículos (verificadas nos exames de imagem), a desproporção craniofacial, membros com artrogripose;

O que é Artrogripose?

Artrogripose é o nome dado à malformação das articulações do bebê, ocasionando limitação de movimento e menor força muscular. O bebê tem dificuldade em mover as articulações devido a uma contratura.

Normalmente, na artrogripose as articulações não se desenvolvem, a cápsula articular (membrana que envolve as articulações) se torna fibrosa e espessa, dificultando os movimentos. Tudo isso faz com que a criança não consiga mover as articulações.

Manifestações identificadas no recém nascido: microcefalia, desproporção craniofacial, membros com artrogripose, hipertonia, exagero dos reflexos primitivos, hiperirritabilidade, hiperexcitabilidade, crises epilépticas, dificuldade de sucção e de deglutição, calcificações cerebrais e dilatação dos ventrículos (verificadas nos exames de imagem), alterações visuais perceptíveis no mapeamento de retina como as lesões do epitélio retiniano e lesões circulares atróficas da retina e alterações auditivas identificadas ao exame de PEATE;

Manifestações identificadas na criança a partir do primeiro mês de vida: desproporção craniofacial, calcificações cerebrais e dilatação dos ventrículos (verificadas nos exames de imagem) luxação congênita de quadril, hipertonia, alterações visuais perceptíveis no mapeamento de retina como as lesões do epitélio retiniano e lesões circulares atróficas da retina, membros com artrogripose, dificuldade de sucção e de deglutição, crises epilépticas, hiperirritabilidade, persistência dos reflexos primitivos, alterações auditivas e alterações visuais.

Todas as crianças com prejuízos do desenvolvimento neuropsicomotor se beneficiam do Programa de Estimulação Precoce, que objetiva estimular a criança e ampliar suas competências, abordando os estímulos que interferem na sua maturação, para favorecer o desenvolvimento neuropsicomotor. O programa e deve ser iniciado  tão logo o bebê esteja clinicamente estável.

É imprescindível o envolvimento das mães e pais e familiares no programa, considerando que o ambiente social é o mais rico em estímulos para a criança. A equipe deve informar a família sobre a síndrome e seus desdobramentos, orientando-a a utilizar momentos como o banho, vestuário, alimentação, autocuidado e, principalmente, as brincadeiras para estimular, acompanhando de perto e por mais tempo as mães e pais adolescentes, até que se mostrem seguros de poderem dispensar os cuidados necessários a seus filhos.

São objetivos gerais de um Programa de Estimulação Precoce:

– Maximizar o potencial de cada criança inserida no programa por meio da estimulação em âmbito ambulatorial e também em seu ambiente natural, estabelecendo o tipo, o ritmo e a velocidade dos estímulos e designando, na medida do possível, um perfil de reação;

– Potencializar a contribuição dos pais ou responsáveis, de modo que eles interajam com a criança, a fim de estabelecer  vínculos  na comunicação e afeto, prevenindo o advento de distúrbios emocionais e doenças cinestésicas;

– Promover um ambiente favorável para o desempenho de atividades que são necessárias para o desenvolvimento da criança;

– Oferecer orientações aos pais e à comunidade sobre as possibilidades de acompanhamento desde o período neonatal até a fase escolar da criança;

– Promover um modelo de atuação multiprofissional e interdisciplinar; e

– Disseminar informações incentivando e auxiliando a criação de programas de estimulação precoce.

No caso específico das crianças com síndrome da zika, fica evidente a necessidade da articulação entre os Centros Especializados em Reabilitação e a Atenção Básica para o acompanhamento qualificado e conjunto dessas crianças, sobretudo quando considerada toda a complexidade ainda pouco conhecida desta síndrome, em função do tempo ainda limitado de acompanhamento dos casos para melhor conhecimento da prevalência das alterações e do curso.

SAIBA MAIS:

As intervenções de estimulação precoce dos diversos domínios estão disponíveis em:

Diretrizes de estimulação precoce crianças de zero a 3 anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor:
http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/novembro/26/Diretrizes-de-estimulacao-precoce.pdf

Protocolo de Atenção à Saúde e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika, Protocolo de atenção à saúde e resposta à ocorrência de Microcefalia e Plano Nacional de Enfrentamento à Microcefalia.
http ://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/29/Protocolo-SAS-versao-3.pdf

Novo protocolo sobre microcefalia e alterações do sistema nervoso central em bebês:
O documento substituirá o protocolo de “Vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia e/ou alterações do sistema nervoso central (SNC)” e o protocolo de “Atenção à saúde e resposta à ocorrência de microcefalia”, ambos publicados em março de 2016.
“Orientações Integradas de Vigilância e Atenção à Saúde no âmbito da Emergência de Saúde Pública”:
http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/dezembro/12/orientacoes-integradas-vigilancia-atencao.pdf

Congresso Nacional de Microcefalia:
https://www.facebook.com/congressonacionaldemicrocefalia/?fref=ts